Revisão da literatura
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O presente projecto pretende contribuir em várias vertentes para a preservação e estudo do corpus da iconografia e das tradições lendárias referentes à Rainha Santa Isabel em Portugal Continental e Insular, e em algumas regiões de Espanha, enquanto património cultural intimamente associado ao imaginário nacional, com expressões vividas por milhões de pessoas, mas que não foi objecto, até ao presente, da reflexão que a sua importância merece. Constitui um património riquíssimo, designadamente no domínio da escultura, gravura, pintura e azulejo, conservado em numerosas igrejas, palácios, museus e colecções particulares e devendo destacar-se três núcleos icongráficos de referência, a Igreja de SantaClara-a-Nova de Coimbra, A Capela da Rainha Santa Isabel no Castelo de Estremoz e o conjunto de 14 000 azulejos da igreja do desaparecido Convento do Bom Jesus de Monforte, encaixotados há 68 anos. Na origem deste projecto está o trabalho de levantamento da iconografia e das tradições lendárias isabelinas que vem sendo realizado pela IR no decurso da última década através da consulta de inventários e de arquivos e de numerosas deslocações por todo o território nacional e a algumas regiões em Espanha (Madrid, Zaragoza e Barcelona). As informações recolhidas permitiram a publicação de dois livros e vários artigos referidos na bibliografia, de que se destacam: - O Mito da Rainha Santa – uma tradição popular religiosa (2004), onde é feito o primeiro levantamento das lendas isabelinas e assinalada a sua distribuição geográfica; - Os Painéis da Rainha (Capela da Rainha Santa Isabel do Castelo de Estremoz) (2005), onde foi feito o estudo histórico, artístico e iconográfico do belíssimo templo construído no local onde a tradição situa a morte da rainha. Da importância das informações recolhidas, resultou a consciência da necessidade de encetar um trabalho de carácter multidisciplinar, capaz de compreender a diversificada riqueza patrimonial em causa e de contribuir para a sua difusão. A criação de uma Base de Dados aberta a outras contribuições ao longo do tempo será certamente a forma mais adequada de atingir com eficácia este objectivo. Pela consulta do Inventário Artístico de Portugal, a IR teve conhecimento da existência do citado acervo azulejar de Monforte, tendo-se deslocado ao local e sensibilizado não apenas a Santa Casa da Misericórdia, proprietária do espólio, mas a também a Câmara Municipal de Monforte para a importância da recuperação deste património. Esta instituição, com apoio de alguns investigadores que integram a equipa deste projecto, encetou de uma forma muito competente o trabalho de reabilitação e conservação desse acervo, trabalho que prosseguirá no âmbito deste projecto mas com o apoio cientifico de que necessita para a sua adequada musealização. Para o desenvolvimento do projecto, a equipa reunida conta com a participação de eminentes especialistas, autores de importantes publicações nesta área de que se destacam as seguintes, dada a sua particular relevância para o projecto: - História da Arte em Portugal. O Barroco, de Vítor Serrão, livro fundamental para o estudo do período que integra a maior parte das representações artísticas isabelinas - Cripto-História da Arte. Análise de Obras de Arte Inexistentes, do mesmo autor, texto pioneiro que estabeleceu os métodos de trabalho para o estudo das obras de arte perdidas, sendo assim particularmente relevante para o estudo histórico-artístico do desaparecido Convento do Bom Jesus de Monforte. - O Azulejo, de José Meco, obra fundamental no estudo do azulejo em Portugal e onde é analisada a obra da importante oficina do mestre pintor de azulejo Valentim de Almeida, a quem este especialista, que acompanha desde a primeira hora o trabalho de inventariação, atribui a autoria do espólio azulejar de Monforte. - O Centro histórico da Vila de Monforte: evolução histórica, problemáticas de conservação e vias de animação cultural, de José Inácio Militão Silva, artigo que constitui o único estudo histórico do Convento do Bom Jesus de Monforte realizado a partir de uma aturada pesquisa arquivística e fornecendo uma importante base de trabalho para a investigação cripto-histórica e artística do convento. - A narrativa da vida e milagres da Rainha Santa Isabel: testemunhos e edições e, Os mais antigos retratos da rainha Santa Isabel, de Maria Isabel Rosa Dias, especialista em hagiografia e em edição textual, atesta a sua qualificação científica para a tarefa de editar criticamente a biografia medieval da rainha, à luz das técnicas actuais em uso neste tipo de trabalho. - O relatório referente ao desenvolvimento dos trabalhos de reabilitação e conservação do acervo, levados a cabo em 2012 e que fundamentou a atribuição da Menção Honrosa – PRÉMIOS SOS AZULEJO 2012 à equipa da Câmara Municipal de Monforte dirigida pela arqueóloga Paula Morgado, constitui, por si só, uma garantia da qualidade do trabalho a desenvolver. Deve ainda ser referido o Arquivo Digital de Literatura Oral Tradicional – ADLOT (projecto financiado pela FCT), em que participaram três investigadores do CTPP- Centro de Tradições Populares Portuguesas que integram a equipa do projecto Legenda Reginae: João David Pinto-Correia, coordenador científico, Francisco Melo Ferreira, responsável pela concepção do programa para a elaboração da Base de Dados e pelo controlo da sua utilização, e Maria de Lourdes Cidraes, a IR do projecto Legenda Reginae responsável no ADLOT pela tarefa de conceber a classificação do género Lenda e que, no âmbito do referido projecto, publicou o livro, As Lendas Portuguesas. Temas. Motivos. Categorias (2014), edição financiada pela FCT. A realização do projecto ADLOT mereceu apreciação muito elogiosa por parte da equipa de avaliação nomeada pela FCT pela forma como foram alcançados os objectivos propostos, pelo que constitui uma referência segura para a equipa que se propõe alcançar os objectivos definidos para a construção da Base de Dados Legenda Reginae. Maria de Lourdes Cidraes |